Top 10 dos países mais laicos do mundo: classificação e explicações

Classificar os países mais laicos do mundo é comparar modelos jurídicos muito diferentes. Alguns Estados inscrevem a separação entre Igrejas e Estado em sua constituição, outros a praticam sem nomeá-la. Esta classificação baseia-se em três critérios: a neutralidade constitucional, a ausência de financiamento público dos cultos e a proteção efetiva da liberdade de consciência.

1. França

Fachada de um edifício oficial francês com a inscrição Liberdade Igualdade Fraternidade e a bandeira tricolor

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Na lista dos países laicos no mundo encontramos perfis muito variados, do Norte da Europa ao Leste Asiático. A França continua sendo a referência mundial em matéria de laicidade estrita.

A lei de 1905 estabelece o quadro: o Estado não reconhece, não paga nem subsidia nenhum culto. Esta separação clara ainda estrutura o direito francês hoje.

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No campo, a jurisprudência não para de evoluir. O Conselho de Estado e a Corte de Cassação multiplicaram desde 2016 decisões sobre creches em edifícios públicos, sinais religiosos em empresas ou ainda as abayas na escola. Mesmo o país mais estritamente laico está em redefinição permanente.

Este modelo chamado “de combate” se distingue pela proibição de sinais religiosos ostensivos na escola pública e pela neutralidade imposta aos agentes da função pública.

2. Japão

Torii vermelhão em um parque urbano de Tóquio com um jovem japonês em roupa casual passando

A constituição japonesa de 1947, redigida após a Segunda Guerra Mundial, proíbe ao Estado qualquer privilégio em relação a uma organização religiosa. Nenhum financiamento público vai para os cultos, e o ensino religioso está ausente das escolas públicas.

Na prática, o xintoísmo permeia a vida cotidiana sem interferir na política. Os japoneses frequentam templos e santuários por tradição cultural, não por adesão doutrinária. A religião pertence à esfera privada, e a sociedade funciona sem que o debate sobre a laicidade ocupe o espaço público.

3. Coreia do Sul

Rua comercial movimentada de Seul com uma jovem coreana em roupa moderna segurando um café para levar

A constituição sul-coreana garante a liberdade de religião e proíbe qualquer religião de Estado. O país abriga uma mosaico de confissões (budismo, protestantismo, catolicismo, xamanismo) sem que nenhuma obtenha status privilegiado.

Essa pluralidade confessional produz um equilíbrio de fato: nenhum grupo religioso pesa o suficiente para influenciar a legislação. O Estado permanece neutro em suas instituições, mesmo que alguns presidentes tenham manifestado publicamente sua fé pessoal.

4. Estônia

Ruela pavimentada da cidade velha de Tallinn na Estônia com um homem em casaco de lã lendo um jornal

A Estônia está entre as sociedades menos religiosas do planeta. A maioria da população não se declara afiliada a nenhuma confissão. A constituição garante a separação entre a Igreja e o Estado sem ambiguidades.

A quase total ausência de prática religiosa torna o debate sobre a laicidade quase supérfluo. Sem tensão em torno dos sinais religiosos, sem litígios sobre o financiamento dos cultos. É um caso em que a laicidade jurídica coincide com uma secularização profunda da sociedade.

5. República Tcheca

Praça da Cidade Velha de Praga com o relógio astronômico gótico e uma jovem mulher de impermeável

Como a Estônia, a República Tcheca apresenta uma taxa de ateísmo ou agnosticismo entre as mais altas da Europa. A constituição não menciona nenhuma religião oficial, e o financiamento das Igrejas, herdado da era comunista, foi progressivamente reduzido.

A secularização está enraizada na história: a desconfiança em relação à Igreja Católica remonta às guerras hussitas. Observa-se uma população que associa laicidade e independência intelectual, sem hostilidade aberta em relação aos crentes.

6. Uruguai

Calçadão da Rambla em Montevidéu no Uruguai com um homem de meia-idade lendo um livro à beira do rio

O Uruguai é uma exceção na América Latina. As festas religiosas foram até renomeadas: o Natal é oficialmente chamado de “Dia da Família”.

O Estado não subsidia nenhum culto, e os símbolos religiosos estão ausentes dos edifícios públicos. Este modelo resistiu a décadas de ditadura militar sem ser contestado.

7. Países Baixos

Canal de Amsterdã com casas de telhado inclinado e uma mulher neerlandesa prendendo sua bicicleta à beira da água no outono

Os Países Baixos não têm uma constituição explicitamente laica no sentido francês, mas a neutralidade do Estado funciona lá há décadas. O sistema baseia-se na tolerância e na coexistência (o famoso “pilar” confessional deu lugar a uma sociedade muito secularizada).

As opiniões variam sobre a classificação dos Países Baixos como “laicos” em sentido estrito, pois o Estado financia parcialmente escolas confessionais. A prática religiosa, no entanto, caiu de forma espetacular, e a legislação permanece neutra em questões de consciência.

8. Austrália

Praia de Bondi Beach em Sydney na Austrália com um jovem descontraído sentado em um muro de pedra de frente para o oceano

O artigo 116 da constituição australiana proíbe a Commonwealth de estabelecer uma religião ou impor uma prática religiosa. Este quadro, inspirado na primeira emenda americana, garante a neutralidade federal.

Na prática, a Austrália permanece pragmática. As capelanias escolares existem, algumas escolas religiosas recebem fundos públicos. Mas nenhuma confissão influencia diretamente a legislação federal, e a sociedade australiana se seculariza rapidamente.

9. México

Rua colonial do centro histórico da Cidade do México com uma mulher mexicana folheando livros em uma barraca de rua

O México inscreveu a separação entre a Igreja e o Estado em sua constituição de 1917, em um contexto de conflito aberto com a Igreja Católica. As Leyes de Reforma do século XIX já haviam nacionalizado os bens do clero.

O modelo mexicano se aproxima do modelo francês por sua radicalidade histórica. Apesar de uma população majoritariamente católica, o Estado mantém uma estrita neutralidade institucional.

10. Turquia

Rua moderna de Istambul na Turquia com um homem de blazer segurando um café, um minarete de mesquita visível ao fundo na névoa

A Turquia herdou do kemalismo uma laicidade constitucional imposta de cima para baixo nos anos 1920. O Estado controla os assuntos religiosos através do Diyanet, uma instituição que gerencia as mesquitas e a formação dos imãs.

Este modelo apresenta um paradoxo: o Estado se diz laico enquanto administra diretamente o islamismo sunita. Desde os anos 2010, o Pew Research Center nota um aumento das restrições governamentais sobre a religião em vários países, incluindo Estados que se apresentam como neutros. A Turquia ilustra essa tensão entre laicidade constitucional e controle estatal do religioso.

Esta classificação mostra que não existe um único modelo de laicidade. Entre a separação estrita à francesa e a neutralidade pragmática australiana, cada país compõe com sua história, sua demografia religiosa e suas relações de força políticas. A laicidade permanece um quadro vivo, redefinido por cada geração.

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